12.14.2009

O arquitecto Felix Candela




Fábrica de rum Bacardi - 1960 - México

A História da arquitectura moderna é muias vezes vista, infelizmente como a história das vanguardas estéticas do centro da Europa, a fuga dos seus protagonista para os EUA e o Pós-guerra nos países do ocidente. Ora, como já vimos atrás, este é um facto falso. Em zonas periféricas às grandes potências económicas encontramos investigações extraordinárias e ímpares. O arquitecto Candela é um destes casos. Mexicano e num meio de recursos limitados teve a inteligência de desenvolver o que não se poderia fazer noutros lugares até mais desenvolvidos: estruturas de betão armado com espessuras que chegavam aos 5cm (poupando material e aproveitando a mão de-obra especializada e artesanal, mas barata e laboriosa)
Nenhum arquitecto da modernidade homenageou tanto a arquitectura gótica, e imagine-se onde!
Os espaços de Candela possuem uma extrordinária leveza e aproveitaram ao máximo as possibilidades do betão armado ou como dizem os nossos queridos amigos do Brasil, o concreto. O arquitecto Candela forma-se em arquitectura, mas estuda engenharia por si só e tranforma a engenharia em arquitectura.
A fábrica de rum Bacardi é exemplo de tudo isto. Com uma estrutura optimizada e gastando o mínimo de material possui uma dimensão e altura extrordinária e coloca de novo o México no mapa da arquitectura mundial tal como outros grandes vultos da arquitectura mexicana como Barragán. Assim se fez a arquitectura moderna de qualidade, dando autênticas lições de engenho e arte a países com muitos mais meios e recursos...

11.19.2009

Arquitecto Koenig e a arquitectura moderna





Projectos de Casas nº22 - Pierre Koening - Woods drive - California - 1960


Na américa do pós-guerra o debate acende-se quando os arquitetos discutem como elaborar casas económicas com sistemas industriais mas que ao mesmo tempo tenham qualidade excepcional. Este período é conhecido no estados da costa oeste como o período das "case study houses". Pierre Koening destaca-se com o seu caso de estudo nº 22 e é hoje um projecto de casa referência em todo o mundo.
A utilização do aço desta casa permite grandes vão envidraçados sem estrutura e enormes consolas sobre a paisagem. Ao mesmo tempo, a cozinha deixa de ser um espaço fechado e passa a pertencer à sala. A mulher tem outro papel na família e a casa adapta-se à nova sociedade.
Os arquitectos estavam atentos à mudança economica e social produzindo como reflexo experiências arquitectónicas absolutamente ímpares...

10.10.2009

Arquitecto Kenzo Tange






Igreja de S. Maria em Tokio - Kenzo Tange -1961

Nascido em 1913 no Japão, Kenzo Tange deixa um legado arquitectónico de projectos memorável. Falecido em 2005 o seu trabalho em prol de uma arquitectura mais moderna, mais simbólica, mais capaz de comover e simbolizar é de facto inigualável.
A igreja de S. Maria em Tokio é um exemplo de como a arquitectura moderna pode ser também capaz de comover e de simbolizar o divino ou rreligioso. A utilização de materiais aparentemente menos nobres foi um desafio ultrapassado com maestria. Se repararmos na sua cobertura curva de chapa e nas suas superfícies de betão à vista verificamos como estes materiais ganharam no desenho de Tange um significado totalmente diferente.
O arquitecto Kenzo Tange alcança o simbólico recorrendo a elementos conotados com a arquitectura industrial e transporta estes materiais para o vocabulario arquitectónico mais nobre. A utilização criteriosa da luz e dos materiais é sem dúvida a mais bela lição de arquitectura que o arquitecto Kenzo nos deixou...

9.12.2009

Arquitecto Klerk







Habitação social - amesterdão - 1920 - Arquitecto de Klerk


Michel de Klerk é um arquitecto holandês de amesterdão que nasce em 1884. A sua obra prolonga-se pelo século XX fora e ficou conhecido como um expoente máximo do expressionismo alemão.
Este arquitecto revoluciona o modo em como encaramos a arquitectura na medida em que os seus projectos são tratados como se tratassem de uma escultura. Na realidade, apesar do seu trabalho se ter centrado sobretudo em habitação social, o arquitecto de Klerk entendia que também estes projectos deverião possuir uma carga estética, não repetitiva e caracterizadora da cidade envolvente.
O projecto para o chamado "edifício barco" é um dos seus expoentes máximos. O arquitecto inspira-se nas formas curvas dos barcos que povoam amesterdão e desenha um edifício de habitação social extraordináriamente económico, funcional e singular do ponto de vista estético. O baixo orçamento não mais poderia ser desculpa para a baixa qualidade da habitação social. O arquitecto de Klerk comprova que com poucos recursos se pode fazer uma arquitectura explendida em qualidade e significado urbano.

8.09.2009

O arquitecto Mendelsohn e os arquitectos expressionistas







De la warr pavilion -Erich Mendelsohn - Sussex - Inglaterra - 1935

Erich Mendelsohn nasce em 1887 e morre em 1953. É um arquitecto judeu alemão que ficou conhecido como um dos arquitectos expoentes máximos da arquitectura expressionista do século XX.
A arquitectura expressionista e os arquitectos expressionistas caracterizavam-se por um desenho livre e emocional dos espaços e das formas. Assim, entendiam a arquitectura como uma manifestação não só das funções, mas também das emoções. Deste modo, a criação de formas curvas e espaços luminosos era um dos seus recursos mais correntes.
A arquitectura do pavilhão que Mendelsohn desenhou para Sussex em Inglaterra é disto exemplo.
Um edifício aberto para o mar, devidamente protegido com protecções solares, de formas curvilíneas e recheado de luminosidade.
Os arquitectos abrem os olhos para a arquitectura da sensualidade e da emoção e o arquitecto Mendelsohn passa a ser o símbolo dessa mesma transgressão.





7.04.2009

O arquitecto Lewerentz e os arquitectos contemporâneos







Igreja de S.Pedro - Klippan - Suécia - 1963

Sigurd Lewerentz é uma arquitecto sueco que nasce em 1885 e morre em 9175. Lewerentz faz a sua própria revolução da arquitectura moderna. É um personagem relativamente marginal do debate internacional, à semelhança dos grandes mestres protugueses da sua época ( Carlos Ramos e Viana de Lima).
Na realidade, a sua arquitectura é o elogio da construção em tijolo e madeira tradicional da Suécia e a introdução de uma modernidade mais sensual do que utilitarista, mais sensorial que funcionalista. Usa técnicas estranhas para muitos modernos como abóbodas de tijolo ou coberturas de madeira e telha. A sua revolução assenta na forma e não na adopção do betão armado e a sua estética tão em voga na altura.
A Igreja de Klippan é exemplo da sua vontade de elogiar a construção tradicional, com as suas abóbodas, penumbras no espaço. detalhes no tijolo. A modernidade desta obra assenta no desenho, no minimalismo das formas, das aberturas, na simplicidade como se relaciona com o parque e não no elogio da máquina.
Lewerentz, não teve no seu tempo a importância para os arquitectos que tem hoje, mas quem pode garantir que arquitectos que a estão a ter hoje a terão amanhã?

6.08.2009

Arquitectos modernos - arquitecto Saarinen






Terminal TWA - New York -1956 - Saarinen

Eero Saarinen pertence aquele grupo de arquitectos modernos em que não conseguimos entender o porquê de , estando tão à frente do seu tempo, não serem mais aclamados ou referidos enquando fundadores da arquitectura moderna.
Saarinen é um arquitecto finlandês que tem uma absoluta paixão pelas formas curvas da natureza e foi o primeiro arquitecto do século XX a levar estas formas para a arquitectura moderna a um nível nunca antes visto.
O terminal TWA é um exemplo desta arquitectura que se molda ao nosso corpo como um tecido, que não nos agride com as suas arestas, que nos deixa fluir nos espaços como se percorressemos um corpo vivo. As paredes curvas sugerem-nos os caminhos e recebem a luz de modo cuidadoso e simples. Permanece ainda hoje como um projecto de arquitectura à frente do seu tempo, à frente do próprio futuro.
A arquitectura da geometria euclediana ( superfícies rectas) fica em crise pela estrondosa sensualidade da arquitectura de Saarinen, arquitecto da forma viva.




5.19.2009

Arquitecto Rietveld e arquitectos modernos






Casa Schroder - 1924 - Utrecht


Gerrit Rietveld é um arquitecto algo incomum na história da arquitectura moderna. Os arquitectos modernos que mais influenciaram a arquitectura têm normalmente um percurso recheado de obras e frequentemente de grande dimensão. Mas Rietveld não coincide com esta definição. É uma arquitecto com muito pouca obra construída e com bastante mais trabalho na pintura e no design. Contudo, essa proximidade com a arte de vanguarda permitiu-lhe introduzir na arquitectura conceitos absolutamente revolucionários ao nivel da estética e funcionalidade.
A casa Schroder é um exemplar brilhante da arquitectura moderna. Os seus paineis interiores deslizantes transformam a casa para o número de divisões que se pretendem e as suas cores primárias rompem com todos os cânones estéticos, fazendo-nos penetrar num ambiente neoplástico. Conhecer a casa Schroder é viajar dentro de uma pintura e escultura vanguardista.
A arquitectura sempre foi algo de perene. Com o arquitecto Rietveld a arquitectura passou a ter paredes amovíveis e uma estétíca absolutamente inovadora.
Semelhantes aproximações só teriam reflexo nos anos sessenta e noventa sobre o tema da flexibilidade com Habraken ou a Utopia . A arquitectura entrava definitivamente em movimento...

4.24.2009

O arquitecto Terragni e a arquitectura racionalista







Terragni - Casa del Fascio - 1936 - Como
Giuseppe Terragni, arquitecto italiano racionalista nasce em 1904 e morre em 1943. Terragni vive e trabalha durante o regime fascista Italiano. Mussolini apreciava a arquitectura moderna na medida em que se tratava de um elemento diferenciador do regime. Terragni sabia disso e sempre apoiou o regime fascista italiano. É importante não esquecer que o regime Soviético rejeitara a arquitectura moderna e preferira adoptar a arquitectura clássica revivalista. Muitos arquitectos modernos refugiaram-se na Europa ocidental por isso mesmo.
Em Itália o cenário era diferente e independentemente da posição política de Terragni seria uma enorme injustiça não reconhecer a qualidade deste arquitecto incontornável. Terragni é líder de um movimento de arquitectos que prima pelo rigor construtivo, pela ordem e organização dos espaços, pela luminosidade, pela vanguarda na utilização dos materiais industriais, pela relação aberta com o exterior e por um cuidado sentido de proporção.
A Casa del Fascio, hoje conhecida por Casa del Popolo, tentativa de branqueamento político, é um exemplo paradigmático da sua arquitectura. Concebida como um paralelepípedo escavado de diferentes formas, trata-se de um centro cívico de enorme qualidade no rigor da aplicação dos materiais, nos detalhes construtivos e apresenta uma enorme contenção na utilização de recursos.
Sabemos que Terragni era fascista. Sabemos também que a sua arquitectura representa o fascismo e exaltava-o. Mas também sabemos que não seria outra coisa senão fascista apagá-lo da História da Arquitectura, até porque, grande parte da linguagem de Terragni seria usada por inúmeros regimes de esquerda quando a União Soviética se abrisse à arquitectura moderna no pós-guerra...
A arquitectura de Terragni com o seu rigor construtivo, não mais sairiam da memória dos arquitectos, fossem eles de esquerda ou de direita...

4.05.2009

O arquitecto Gunnar Asplund e a arquitectura moderna de identidade







Gunnar Asplund - Capela - Estocolmo 1918

Gunnar Asplund é um arquitecto sueco que atravessa o período mais conturbado da modernidade da arquitectura. Nascem em 1885 e morre em 1940.
No entanto a sua localização, a sua cultura e o seu discernimento fizerem deste arquitecto um personagem algo marginal às grandes vanguardas estéticas que se desenrolavam na altura. Todavia a História da arquitectura faria a sua justiça e entenderia aquilo que fora muitas vezes considerado reaccionário como algo de extraordinária sabedoria.
Gunnar Asplund tem particular importância porque sabia o quanto a simbologia e o lugar eram importantes na arquitectura.
Assim para além de um olhar atento e sensível aos lugares, Asplund sabia que uma porta era mais que uma porta, que um telhado é mais que um telhado, que uma coluna dórica é muito mais do que uma coluna dórica. Asplund sabia que a arquitectura vivia de símbolos e por isso nunca renegou a linguagem clássica greco-romana. O que Asplund fez foi adaptá-la a um nível de beleza e minimalismo que muitos julgariam impossível.
A Capela de Estocolomo é um exemplo de simbologia, simplicidade, sensibilidade ao lugar e linguagem minimalista "avant-la-lettre". As suas colunas delicadas, o rigoroso remate do seu telhado, a simplicidade com que dialoga com o bosque, a força da sua luz interior elevaram a arquitectura moderna a um patamar nunca antes alcançado.
A arquitectura moderna sabia agora representar os mitos do Homem, sabia agora no fundo...comover.

3.21.2009

A arquitecta Alice Smithson e o arquitecto Peter Smithson








Robin Hood Gardens, Poplar, East London, Smithson - 1972


Não é muito comum na história da arquitectura o aparecimento de arquitectas no debate internacional. Hoje surjem algumas e sobretudo isoladas, mas a verdade é que o passado recente foi bem diferente. É certo que o papel da arquitecta Aino Aalto na vida do marido ultrapassava os limites da relação pessoal entre os dois e são conhecidas as suas intervenções no seio do estudio. Todavia esse facto nunca foi conhecido para além dos círculos mais restritos do meio profissional dos arquitectos. Sabe-se também o papel de Denise Scott Brown e da sua intervenção no percurso de Robert Venturi, todavia o seu reconhecimento é restrito.
Mas existe um caso absolutamente inusitado que deu à História da Arquitectura um novo rumo: Alice e Peter Smithson. Não é descabido dizer que estes dois arquitectos revolucionaram o panorama da arquitectura do pós-guerra. Ficaram conhecidos como arquitectos Novos Brutalistas, todavia estas classificações serão demasiado redutoras.
Estes arquitectos repensaram toda a linguagem modernista, considerando que os projectos de arquitectura não têm que reproduzir as máquinas ou a estética da pintura ou da escultura. Para eles a arquitectura era mental e introduzem pela primeira vez a noção de conceito arquitectónico. Ora, a noção de conceito arquitectónico assenta mais na resposta aos modos de vida contemporâneos, aos materiais que a indústria ia introduzindo no momento e não se um edifício é mais ou menos bonito.
O projecto Robin Hood Gardens é um marco na medida em que pela primeira vez um conceito como a "rua no céu" (sky street) foi aplicado. Isto é, desenvolveu-se todo um bairro acedido por galerias ( as ruas elevadas) libertando espaço para os jardins e conseguindo dotar de habitação de baixo custo largas faixas da população pobre. Os materiais utilizados como o betão à vista e as canalizações visíveis a cores garridas faziam com que os custos fossem controlados.
Por isso foram considerados Brutalistas e muitas vezes até mal interpretados.
Contudo, sem eles, não haveria "welfare state" ou toda a Habitação Social europeia dos anos setenta.
Alice morre em 1993 e Peter Smithson retira-se profissionalmente acabando por falecer em 2003.
A noção do papel do arquitecto mudara e à semelhança de algumas lições de Gropius a arquitectura era muito mais um trabalho de equipa e menos de um qualquer personagem isolado com sobrenome pomposo. A arquitectura mudara e afastara-se aparentemente da pintura ou da arte. Aparentemente, porque na realidade, na realidade aproximara-se da sociedade.
P.S.: Deixo aqui uma referência especial aos arquitectos da Utopia pois, no que diz respeito ao desenvolvimento de uma arquitectura de equipa afastada do conceito de arquitecto como artista visionário isolado, estão a produzir trabalhos de enorme multidisciplinaridade.