11.15.2008

O projecto de arquitectura orgânica






Casa Schminke - Hans Scharoun - 1932
Hans Sharoun, arquitecto alemão (1893 1972), é talvez o percursor daquilo a que muitos consideraram a arquitectura orgânica dos anos 60.
Mas Scharoun ultrapassa ainda essa definição. Para além do facto de cada projecto de arquitectura seu possuir formas que nos remetem para a biologia existe um modo de encarar a luz e o espaço totalmente inovadoras. Isto é, o modernismo de Scharoun não nos remete para a repetição de elementos da indústria, mas antes para a criação de espaços que criem ambientes confortáveis. Não á a pretensão de ser industrial, a modernidade assenta na liberdade e todas as formas são possíveis. A casa Schminke é exemplo disto mesmo. Formas curvas convivem com espaços angulosos, plenos de luz e de relação com o exterior. Infelizmente, Sharoun nunca foi considerado um grande mestre do modernismo. E não o foi pela simples razão:
- Em 1932 Scharoun já estava no pós-modernismo...

10.23.2008

O projecto de arquitectura humanizado








Aldo Rossi - Cemitério de Móden - 1972 - Itália

Aldo Rossi é um dos mais importantes arquitectos pós-modernos.
A sua contribuição para a arquitectura assentou precisamente na sua capacidade de relativizar o modernismo e incluir a experiência pessoal do arquitecto com todos os seus sentimentos, memórias e emoções no centro do projecto de arquitectura.
O cemitério de módena é um dos exemplos mais extraordinários deste novo modo de sentir a arquitectura. O Projecto foi concebido como uma colagem de memórias visuais que Rossi acumulava da História da Arquitectura e como um autêntico monumento à sua capacidade de comover o usuário. No fundo é uma miniatura da cidade. Esta é a cidade onírica, esta é sem dúvida a cidade de Rossi...




9.14.2008

A arquitectura de Robert Venturi e Denise Brown





Casa Vanna Venturi, Philadelphia, 1964

Robert Venturi e Denise Scott Brown tiveram um papel absolutamente incontornável na arquitectura contemporânea. Embora hoje bastante esquecidos, eles alteraram todo o debate em torno da modernidade nos anos sessenta e setenta.
Basicamente puseram em questão todos os arquitectos que repetiam os modelos criados pelos pioneiros do modernismo no início do século. A sua actividade centrou-se não só na elaboração de projectos como no desenvolvimento de uma teoria que suportava a sua critica acérrima e a sua actividade projectual. "Complexidade e contradição em arquitectura" ou "Aprendendo em Las Vegas" são dois dos livros que mais espelharam a sua actividade teórica.
Nos seus livros criticaram duramente os arquitectos que projectavam casas como se tratassem de fábricas e a sua incapacidade de se motivarem com a cultura pop que estava em franco crescimento.
A casa Vanna Venturi é um dos exemplos mais paradigmáticos de todas as suas obras. Nesta obra marcante da segunda metade do século XX, a casa apresenta não só uma linguagem moderna como incorpora elementos da cultura popular americana como o telhado ou achaminé. Ao mesmo tempo recusa o simplismo da ortogonalidade, criamdo espaços complexos e oblícuos que se aproximam muito mais da natureza do ser humano.
Depois de Venturi o modernismo simplista que desenhava casas como barcos e reproduzia os modelos dos anos 20 até à exaustão estava definitivamente posto de lado...

7.27.2008

Walter Gropius arquitecto





Escola Bauhaus, Dessau , 1925

Walter Gropius é um arquitecto incontornável na modernidade de todo o século XX. Embora nasça em 1883 é um arquitecto cujo contributo passa não só pelas obras inovadoras mas também por toda a sua visionária actividade pedagógica.
Walter Gropius percebeu muito cedo que a inovação arquitectónica estava dependente da reformulação de todas as escolas de ensino de arquitectura e arte. Deste modo, é um dos principais fundadores da Bauhaus. A sua visão da aquitectura assentava no desenvolvimento de soluções adaptadas aos processos constructivos e produtivos que a Revolução Industrial proporcionava e não a uma mera atitude decorativa.
O edifício sede da Bauhaus espelha isso mesmo. Ou seja, um edifício funcional, despojado de decoração moderna e projectado de modo a ser funcional. Rompe com todos os estereótipos de simetria e de linguagem clássica que uma escola ostentava até então.
Apesar de nos parecer hoje uma escola de linguagem comum este edifício foi projectado em 1925. O ensino da arquitectura nunca mais seria o mesmo...

6.29.2008

A arquitectura e o design de Arne Jacobsen






Radisson SAS Royal Hotel - Copenhaga - 1960

Arne Jacobsen (1902-1971) , arquitecto dinamarquês modernista, influencia em absoluto não só a sua geração como gerações futuras de arquitectos e designers.
Arne jacobsen coloca no seu trabalho de projecto não só uma profunda funcionalidade como um sentido estético inigualável. As suas formas destacam-se pela simplicidade, leveza e minimalismo. Ao mesmo tempo representa a cultura moderna dinamarquesa em todo o seu esplendor.
No Radisson SAS Royal Hotel de Copenhaga, Arne jacobse aplicou todos estes princípios, não só no desenho do edifício do como em todo o seu mobiliário. Aqui poderemos ver tanto uma modernidade orgulhosa da sua simplicidade , como um delicada escolha de materiais de revestimento. A modernidade nunca tinha tido a elegância que a Dinamarca de Jacobsen nos ofereceu...
Enquanto arquitectos confesso que sempre que pensamos um hotel, este projeto estará sempre presente nem que seja por oposição. Poderá conhecer nesta página a importância do arquiteto no hotel.

6.06.2008

A arquitectura de Mies Van Der Rohe






Casa Farnsworth - Plano, Ilianois, EUA - 1951

Mies Van der Rohe é certamente um arquitecto incontornável no século XX. A sua arquitectura permanece enquanto símbolo de modernidade e muitos dos seus conceitos são a base do trabalho de grande parte dos arquitectos contemporâneos.
Frases como "less is more" são sobejamente conhecidas , mas nem por isso sintetizam o pensamento do arquitecto. Mies é complexo e não se encaixa facilmente em nenhuma corrente. O que é claro na obra de Mies é que os seus projectos procuram apresentar poucas formas, poucos materiais, poucos gestos. Ao mesmo tempo, estes recursos procuram ser os suficientes para resolver o problema em questão.
A casa Farnsworth é talvez um exemplo paradigmátigo da sua arquitectura. Para além da simplicidade formal que caracteriza a sua obra podemos encontrar também a vontade de fazer a natureza entrar para o interior através do recurso a transparência e a grandes espaços livres de compartimentação. A métrica rigorosa não esconde a paixão que Mies possuía pela arquitectura dos templos gregos.
Ainda hoje, a Farnsworth é um exemplo inquientante sobre a relação que a arquitectura deve establecer com a Natureza.

5.25.2008

A História da Arquitectura de Louis Kahn







Casa Esherick - Pennsylvania , Chestnut Hill - 1970

Durante esta busca da arquitectura ideal para que o Homem se encontre em perfeita harmonia com o meio ambiente, toma particular interesse a posição de Louis Kahn.
Tratando-se de um Americano de Philadelphia com raízes judaicas, talvez se entenda o porquê dessa busca de uma modernidade plena de História. Na realidade os seus projectos influenciaram e influenciarão gerações de arquitectos. Apesar de Kahn ter desenhado poucas vivendas, a casa Esheric é um exemplo muito claro da monumentalidade de Kahn. A seu conforto assenta na relação franca com o exterior, no conjunto de elementos simétricos que transmitem solidez e segurança a todos os que nela habitam. Ao mesmo tempo a própria combinação do betão meticulosamente elaborado e das madeiras transmitem a protecção que a casa emana.
A arquitectura moderna transforma-se assim ela própria em História. E Kahn .... esse sim... entrava definitivamente para a História da Arquitectura moderna.