11.30.2011

Arquitecto Abraham Miletsky

Creio ser fundamental reposicionar a história da arquitectura a oriente, mais particularmente nos muito esquecidos arquitectos soviéticos dos anos 70. O arquitecto Abraham Miletsky é um destes exemplos. Um pouco mais distante dos constructivistas seus pares este arquitecto desenvolve um trabalho mais expressionista e inspirado em formas orgânicas que andam em paralelo com muitas das experiências que se faziam no Brasil na época. O crematório de Kiev de 1975 é exemplo deste trabalho de formas curvas sem paralelo na Europa. O crematório é assim o espaço do sagrado numa época em que o sagrado não podia ser explicito e restava a arquitectura para o simbolizar...


Arquitecto Abraham Miletsky - Crematório de Kiev - 1975


Arquitecto Miletsky - Crematório de Kiev - Entrada


Arquitecto Miletsky - Crematório de Kiev - Tectos


Arquitecto Miletsky - Crematório de Kiev - Formas Curvas

Arquitecto Miletsky - Crematório Kiev - Fachada Posterior



P.S.: Quando os meus colegas arquitectos na Utopia desenharam um projecto de crematório
 este projecto foi referido recorrentemente. Optou-se na altura por linhas minimalistas, mas a vontade de dizer o que não pode ser dito é precisamente a mesma...

10.31.2011

Arquitectos Chakhava e Jalaghania

Corria o ano de 1975, a Guerra fria estava ao rubro e a cidade era Tiblissi, na Geórgia, parte da então União das Repúblicas Sociais Soviéticas. A dupla de arquitectos conhecia a fundo o trabalho de vanguardistas como Lissitzky e desejava oportunidades. A URSS parecia querer abandonar o classicismo e a oportunidade surgiu.
Conhecidos pelo seu trabalho sobre cidades no espaço os arquitectos soviéticos tinham agora oportunidade de libertar definitivamente os edifícios do solo e desenvolver o programa horizontalmente. Os custos avultados destas soluções eram também uma forma de demonstração de poder para o exterior.
Independentemente disso, os arquitectos Chakhava e Jalaghania são expoentes máximos das vanguardas russas e todas as tentativas subsequentes em países da Europa que tentaram resgatar estes modelos nunca atingiram a imponência destas obras.
A Modernidade que nunca saíra do papel estava agora em betão à vista de todos...

P.S.: Como arquitecto no atelier de arquitectos Utopia debatemos muito a importância de proteger o solo e salvaguardar a modernidade como opção. Os arquitectos Russos são sempre uma referência essencial nesse debate.


Arquitectos Chakhava e Jalaghania





Arquitectos Chakhava, Jalaghania - Geórgia
Arquitectos Chakhava e Jalaghania - 1975 - Geórgia
Arquitectos Chakhava e Jalaghania - Tiblissi
Arquitectos da ex-URSS - 1975

9.29.2011

Arquitecto Prouvé e casas pré-fabricadas

Casa pré-fabricada para clima tropical africano - Jean Prouvé, 1951

Neste espaço temos sempre falado de arquitectos menos conhecidos ou menos populares entre os arquitectos mas que de alguma forma se destacaram pela sua singularidade. O arquitecto jean Prouvé é precisamente um exemplo disto mesmo. Sem formação académica e enquanto operário da indústria metálomecânica começa a dar os primeiros passos no desenho de mobiliário e aventura-se inclusivamente no desenho de projectos de arquitectura. Essa nova perspectiva sobre o projecto de arquitectura desprende-o um pouco do lugar e da história da arquitectura mas aproxima-o imenso de um olhar pragmático sobre o espaço e a forma. Para o arquitecto Jean Prouvé a arquitectura é uma forma material que cumpre uma função tal como o mobiliário e deverá ser desenhada com economia de meios e com máxima optimização desses mesmos meios de modo a poder transmitir conforto. A sua casa préfabricada tropical representa não só uma das primeiras tentativas de edificar um objecto puramente industrial que susbstitui a tradicional ideia de casa como é inclusivamente uma das mais bem conseguidas. O exemplar da República popular do Congo já não existe e foi levado para o jardim em frente da Tate modern. É assim ainda hoje possível admirar o rigor de Prouvé, a economia de recursos e uma outra leitura sobre o que deve ser uma casa. Concorde-se ou não, a pré-fabricação estava em marcha e Prouvé impulsionou-a... 

P.S.:Fazemos questão de chamar a Prouvé arquitecto, pois não poderá ter outra classificassão que não essa. Ao mesmo tempo, quandos os nossos arquitectos em Angola da Utopia debatiam o clima tropical falamos deste e de outros projectos de arquitectura que nos marcaram de algum modo. Desenhamos habitação, comércio e indústria para um projecto em Angola e a pré-fabricação não foi uma opção dado o nosso entendimento da importância que a identidade representa para a cultura Angolana. Mas o arquitecto Prouvé nunca deixará de ser para nós genial.

casa pré-fabricada do arquitecto Prouvé 1951
Casa metálica Pré-fabricada de Jean Prouvé 1951
arquitecto Jean Prouvé - casa pré-fabricada 1951

interiores de casa préfabricada 1951

8.31.2011

Arquitecto böhm - Reabilitação de edifícios

Reabilitação de Edificio do Município de Bensberg - exterior



Reabilitação de Edificio do Município de Bensberg - interior


Reabilitação de Edificio do Município de Bensberg - exterior

Reabilitação de Edificio do Município de Bensberg - exterior

Reabilitação de Edificio Bensberg - exterior pormenor





















Reabilitação de edificio do Município de bensberg  - Arquitecto Gottfried Böhm  - 1962-1967


O Arquitecto Gottfried Böhm  é uma figura da arquitectura moderna mais recente relativamente controversa. Com um passado já relativamente experiente o arquitecto Böhm  apesar de galardoado com um Pritzker não reúne muitas vezes consensos. Todavia no meu entender é excepcional no modo em como efectua a reabilitação de muitos edifícios antigos com elevado valor histórico. O arquitecto Böhm  não se limita a confrontar o novo com o moderno, o arquitecto interpreta o ambiente em que trabalha e de alguma forma as suas obras e intervenções de reabilitação possuem a mesma escala, os mesmos tons cromáticos, o mesmo carácter, no fundo o mesmo Genius Loci... Bensberg é exmplo disto mesmo. O arquitecto dobra e redobra as suas formas, escava-as, deforma-as integrando-se com delicadeza no complexo medieval pré-existente.
Este edifício é foco de debate constante entre arquitectos quando trabalhamos em Reabilitação de edifícios no nosso gabinete de arquitectura e na realidade não nos cansa de surpreender nos seus detalhes, no manancial de soluções que oferece e na leitura desprovida de preconceitos que a sua abordagem ao projecto de arquitectura envolveu. Obrigado Gottfried Böhm!

7.27.2011

Arquitecto Miguel Fisac


Canto

Pormenor de conjunto







Pormenor de Fachada

Mobiliário




















Arquitecto Miguel Fisac - Edifício IBM Madrid e cadeira 1960

O arquitecto ou engenheiro Miguel Fisac é um expoente máximo da arquitectura espanhola. Nasce em 1913 e morre em 2006 em Madrid. Como arquitecto podemos dizer que é extremamente inovador e eclético na medida em que desenvolveu um trabalho profundamente heterogénio que marca ainda hoje a arquitectura em Espanha. Na realidade, o arquitecto Miguel Fisac demonstra que a arquitectura não precisa de ser um manfesto teórico e o seu trabalho demonstra que os caminhos são traçados em função das oportunidades. Famoso pelos seus rasgos expressionistas em betão armado, escolhi propositadamente um trabalho racionalista para demonstrar a importância e qualidade deste arquitecto. O Edifício IBM de Madrid do arquitecto Fisac demonstra a sua maestria na arte da monotonia, no respeito pela regra e integração na estrutura urbana. Famosos pelos rasgos expressionistas, Fisac demonstra que o trabalho do arquitecto é sempre um trabalho sobre o lugar. Ao mesmo tempo não posso esquecer o seu excepcional trabalho ao nível do mobiliário, na simplicidade e conforto das suas formas. O arquitecto Fisac marca ainda que muitas vezes inconscientemente a arquitectura em España e os arquitectos espanhois, através da naturalidade com que aceita a pluralidade de abordagens, ou não fosse a realidade urbana também ela complexa e contraditória.

P.S.: O tema dos novos edifícios de construção nova moderna é sempre algo que nos preocupa e este projeto é sem dúvida uma referência constante nos debates do nosso atelier.

6.20.2011

Arquitecto Duiker

 Arquitecto Duiker - Lar Sanatório Zonnestral - 1926

Às vezes é surpreendente olharmos as datas de algumas construções. Se o fizermos sempre talvez chegaremos a conclusões diferentes daquelas que muitas vezes nos são dadas por muitos livros da História da Arquitectura moderna. O arquitecto Holandês Jan Duiker nasce em 1890 e morre em 1935. Não é vulgarmente considerado um pioneiro da arquitectura moderna muito embora o seja bem mais do que é comum escrever. Vejamos o Lar ou Sanatório de Zonnestral  pois demonstra a qualidade e pioneirismo do que se fazia na Holanda em 1926. Ainda antes de Le Corbusier ser um mestre conhecido em todo mundo os arquitectos holandeses e em particular o arquitecto Jan Duiker entendia o jogo sábio dos volumes sobre a luz como nenhum outro, a planta livre em betão armado, a janela horizontal, o uso das cores primárias, os grandes envidraçados, as composições assimétricas, a cobertura horizontal, o edifício levantado do solo, enfim toda a parafernália de recursos modernistas que iriam marcar a arquitectura moderna até ao pós-guerra. Não será demais dizer que todos estes recursos assentam que nem uma luva num programa do tipo lar de idosos ou sanatório como é o caso deste edifício em Zonnestral.
Como arquitecto não posso deixar em claro a importância que o arquitecto Duiker tem não só para mim como para os meus colegas arquitectos quando hoje desenhamos um equipamento como um lar de idosos que terá necessariamente de aprender e muito com a qualidade desta arquitectura que se mantém de pé fisica e conceptualmente moderna volvidos quase um século de existência!



5.26.2011

Arquitecto Gardella

Arquitecto Ignazio Gardella 1937 - Milão - Projecto de arquitectura de Sanatório anti-tuberculoso

O arquitecto Ignazio Gardella é talvez um dos mais importantes percursores daquilo a que mais tarde se viria a designar como minimalismo ou arquitectos minimalistas. Na realidade é considerado como um dos expoentes máximos do racionalismo italianos, termo que se designava aos arquitectos que procuravam durante os anos trinta uma arquitectura moderna. Mas o arquitecto Gardella é mais do que isso, procurava a simplificação das formas e o recurso à maior simplicidade possível. Embora o seu trabalho seja profundamente eclético ( como poderemos ver um dia neste espaço com a publicação e análise dos seus projectos de arquitectura para Veneza), o Sanatório de Milão é o exemplo máximo desta atitude.
É impressionante verificar o quanto alguns arquitectos brasileiros, latino-americanos e mesmo suiços foram buscar em termos de recursos formais ao Sanatório de Gardella.
Enquanto arquitecto interrogo-me muitas vezes no nosso gabinete de arquitectos sobre o porquê de algum esquecimento sobre Gardella...mas a consclusão a que chego é sempre a mesma...é demasiado contemporâneo e pós-moderno, não encaixando no perfil de um simples racionalista dos anos 30...

Entrada



Fachada de conjunto


Pormenor da composição
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