3.31.2012

Arquitectos Mies van der Rohe e Lilly Reich

Arquitectos Mies van der Rohe e Lilly Reich

Creio que é altura de fazermos um pouco de justiça e clarificarmos alguns mitos que permanecem no modo em como abordamos a história da arquitectura moderna e dos seus mestres.
Começemos por Mies van der Rohe. É mais ou menos unânime que existem dois Mies, um arquitecto mies van der Rohe europeu e um arquitecto Mies van der Rohe americano. Mas é bastante raro ouvir falar de Lilly Reich. Lilly Reich trabalha com Mies quando este entra para a direcção da Bauhaus e participa nos seus trabalhos desde então até à sua ida para os Estados Unidos. Lilly fica na Alemanha durante a Guerra e nunca mais colaboraram.
A obra de Mies transforma-se brutalmente nos Estados Unidos, desaparece a assimetria, deixa de fazer mobiliário e a monumentalidade assume papel preponderante.
Na obra Europeia de Mies, Lilly Reich é co-autora esquecida de obras como Tugendhat em Brno, o pavilhão de Barcelona, a exposição de 1927, e todo o mobiliário de Mies.
Porque se esquecem os historiadores de Lilly Reich?
Honestamente, não sei.
Merece tanto crédito nestas obras como Mies!
Mas da parte que me toca, para esse peditório não darei.
Por isso, obrigado Lilly Reich.

P.S.: No nosso gabinete de arquitectos debatemos muitas vezes o papel da mulher na arquitectura e como a sociedade o condiciona. Creio que a este respeito as coisas estão a mudar. Cabe-nos a todos ajudar a corrigi-lo.
Mobiliário dos arquitectos Lilly Reich e Mies van der Rohe

Mobiliário dos arquitectos modernos Lilly Reich e Mies van der Rohe

Mobiliário moderno dos arquitectos Lilly Reich e Mies van der Rohe
Casa Tugendhat - 1929 - Brno - Arquitectos Rohe e Reich

Casa Moderna Tugendhat - 1929 - Brno - Arquitectos Rohe e Reich

Casa Tugendhat - 1929 - Brno - Arquitectos Reich e Rohe

2.29.2012

Arquitecto Ventura Terra

Arquitecto Ventura Terra - Liceu Pedro Nunes - Lisboa - 1908


Creio que se esquece bastante o papel dos ecléticos na introdução da modernidade. Os ecletismos produzem mais transformações que as próprias vanguardas estéticas na medida em que de modo coeso conseguem transformar a sociedade. Ora, o arquitecto Ventura Terra representa preciamente este atitude. Não esquecamos que é fundamental na influência de arquitectos como Carlos Ramos e o próprio Fernando Távora, cujo papel na arquitectura do Porto é sobejamente conhecido. O arquitecto Ventura Terra é um homem de consensos e senso comum dotado de um apurado sentido estético. A arte nova em Portugal transforma-se e adapta-se à contingência transformando a sociedade para o caminho da modernidade. O liceu Pedro Nunes é exmplo perfeito desta atitude com as suas composições equilibradas plenas de luz e leveza. O Ginásio é sem dúvida um espaço de composição magistral. Obrigado arquitecto Ventura Terra.


Arquitecto V. Terra - Lisboa 1908
Arquitecto Ventura Terra - Liceu P. Nunes - 1908

Arquitecto V. Terra- Liceu Pedro Nunes 1908

Arquitecto Ventura Terra - Lisboa - Liceu Pedro Nunes

1.31.2012

Arquitectos Jorgen Bo e Vilhem Wohlert

Arquitectos Jorgen Bo e Vilhem Wohlert - Museo de artemoderna em Copenhaga 1958-1978

Os arquitectos Jorgen Bo e Vilhelm Wohlert representam o que há de melhor da herança de Alvar Alto. O seu trabalho evoluiu no sentido da procura de uma relação intença entre arte, arquitectura e natureza. O Museu de arte moderna de Copenhaga foi um dos maiores feitos da arquitectura Dinamarquesa e um ponto fulcral na história da arquitectura Moderna.
O arquitectos dinamarqueses desenharam um edifício que se funde na paisagem, absolutamente despreocupado com os acabamentos, não procurando ser pretensioso mas apenas deixar que a arte e a natureza tomem todo o protagonismo. Esta abordagem humilde perante o contexto continua a ser escassa nos dias de hoje se atentarmos nos exemplos de museus que nos rodeam. Mas Copenhaga está ali a mostrar que a simplicidade é bem mais complexa do que um primeiro olhar poderá fazer crer...


arquitectos dinamarqueses Bo e Wohlert

arquitectos dinamarqueses em Copenhaga

Arquitectos - museu de arte moderna de Copenhaga

Arquitectos e natureza

12.28.2011

Arquitectos Bijovoet e Chareau

Os Arquitectos Bijovoet e Chareau são fundamentais na história da arte moderna, da arquitectura e do mobiliário de vanguarda.
São fundamentais porque nos anos 20 são os primeiros arquitectos a exibir com orgulho a modernidade das texturas, acabamentos, cores, materiais e estruturas que eram até então vulgares na indústria mas que a sociedade resitia a deixar que estas entrassem no interior da habitação ou sequer fossem exibidas no exterior.
A casa de vidro de 1925, construída em Paris é exemplo desta atitude. Os cabos de electricidade são visíveis, os rebites de aço estão à vista, as cores anti-corrosão do aço são aplicadas na sua forma mais pura, o vidro é exibido  em toda a parede, são usadas divisórias em chapa perfurada como nas fábricas da época, enfim, sentimos que a fábrica foi transformada em casa e não a casa em fábrica como é o caso de Le Corbusier.
A indústria era agora um facto de orgulho e grande parte desse orgulho devemos a Bijovoet e Chareau.



Arquitectos - casa de vidro

Arquitectos Bijovoet e Chareau

 
Arquitectos - Paris -1925










































Post Scriptum: Os projectos da história da arquitectura servem sempre de referência ainda que os programas sejam distintos e os lugares e clientes completamente díspares. Mostrar os materiais foi a condição dos arquitectos com quem trabalho neste projecto da utopia para um edifício em Gondomar: projecto dos arquitectos da utopia.

11.30.2011

Arquitecto Abraham Miletsky

Creio ser fundamental reposicionar a história da arquitectura a oriente, mais particularmente nos muito esquecidos arquitectos soviéticos dos anos 70. O arquitecto Abraham Miletsky é um destes exemplos. Um pouco mais distante dos constructivistas seus pares este arquitecto desenvolve um trabalho mais expressionista e inspirado em formas orgânicas que andam em paralelo com muitas das experiências que se faziam no Brasil na época. O crematório de Kiev de 1975 é exemplo deste trabalho de formas curvas sem paralelo na Europa. O crematório é assim o espaço do sagrado numa época em que o sagrado não podia ser explicito e restava a arquitectura para o simbolizar...


Arquitecto Abraham Miletsky - Crematório de Kiev - 1975


Arquitecto Miletsky - Crematório de Kiev - Entrada


Arquitecto Miletsky - Crematório de Kiev - Tectos


Arquitecto Miletsky - Crematório de Kiev - Formas Curvas

Arquitecto Miletsky - Crematório Kiev - Fachada Posterior



P.S.: Quando os meus colegas arquitectos na Utopia desenharam um projecto de crematório
 este projecto foi referido recorrentemente. Optou-se na altura por linhas minimalistas, mas a vontade de dizer o que não pode ser dito é precisamente a mesma...

10.31.2011

Arquitectos Chakhava e Jalaghania

Corria o ano de 1975, a Guerra fria estava ao rubro e a cidade era Tiblissi, na Geórgia, parte da então União das Repúblicas Sociais Soviéticas. A dupla de arquitectos conhecia a fundo o trabalho de vanguardistas como Lissitzky e desejava oportunidades. A URSS parecia querer abandonar o classicismo e a oportunidade surgiu.
Conhecidos pelo seu trabalho sobre cidades no espaço os arquitectos soviéticos tinham agora oportunidade de libertar definitivamente os edifícios do solo e desenvolver o programa horizontalmente. Os custos avultados destas soluções eram também uma forma de demonstração de poder para o exterior.
Independentemente disso, os arquitectos Chakhava e Jalaghania são expoentes máximos das vanguardas russas e todas as tentativas subsequentes em países da Europa que tentaram resgatar estes modelos nunca atingiram a imponência destas obras.
A Modernidade que nunca saíra do papel estava agora em betão à vista de todos...

P.S.: Como arquitecto no atelier de arquitectos Utopia debatemos muito a importância de proteger o solo e salvaguardar a modernidade como opção. Os arquitectos Russos são sempre uma referência essencial nesse debate.


Arquitectos Chakhava e Jalaghania





Arquitectos Chakhava, Jalaghania - Geórgia
Arquitectos Chakhava e Jalaghania - 1975 - Geórgia
Arquitectos Chakhava e Jalaghania - Tiblissi
Arquitectos da ex-URSS - 1975

9.29.2011

Arquitecto Prouvé e casas pré-fabricadas

Casa pré-fabricada para clima tropical africano - Jean Prouvé, 1951

Neste espaço temos sempre falado de arquitectos menos conhecidos ou menos populares entre os arquitectos mas que de alguma forma se destacaram pela sua singularidade. O arquitecto jean Prouvé é precisamente um exemplo disto mesmo. Sem formação académica e enquanto operário da indústria metálomecânica começa a dar os primeiros passos no desenho de mobiliário e aventura-se inclusivamente no desenho de projectos de arquitectura. Essa nova perspectiva sobre o projecto de arquitectura desprende-o um pouco do lugar e da história da arquitectura mas aproxima-o imenso de um olhar pragmático sobre o espaço e a forma. Para o arquitecto Jean Prouvé a arquitectura é uma forma material que cumpre uma função tal como o mobiliário e deverá ser desenhada com economia de meios e com máxima optimização desses mesmos meios de modo a poder transmitir conforto. A sua casa préfabricada tropical representa não só uma das primeiras tentativas de edificar um objecto puramente industrial que susbstitui a tradicional ideia de casa como é inclusivamente uma das mais bem conseguidas. O exemplar da República popular do Congo já não existe e foi levado para o jardim em frente da Tate modern. É assim ainda hoje possível admirar o rigor de Prouvé, a economia de recursos e uma outra leitura sobre o que deve ser uma casa. Concorde-se ou não, a pré-fabricação estava em marcha e Prouvé impulsionou-a... 

P.S.:Fazemos questão de chamar a Prouvé arquitecto, pois não poderá ter outra classificassão que não essa. Ao mesmo tempo, quandos os nossos arquitectos em Angola da Utopia debatiam o clima tropical falamos deste e de outros projectos de arquitectura que nos marcaram de algum modo. Desenhamos habitação, comércio e indústria para um projecto em Angola e a pré-fabricação não foi uma opção dado o nosso entendimento da importância que a identidade representa para a cultura Angolana. Mas o arquitecto Prouvé nunca deixará de ser para nós genial.

casa pré-fabricada do arquitecto Prouvé 1951
Casa metálica Pré-fabricada de Jean Prouvé 1951
arquitecto Jean Prouvé - casa pré-fabricada 1951

interiores de casa préfabricada 1951