2.29.2012

Arquitecto Ventura Terra

Arquitecto Ventura Terra - Liceu Pedro Nunes - Lisboa - 1908


Creio que se esquece bastante o papel dos ecléticos na introdução da modernidade. Os ecletismos produzem mais transformações que as próprias vanguardas estéticas na medida em que de modo coeso conseguem transformar a sociedade. Ora, o arquitecto Ventura Terra representa preciamente este atitude. Não esquecamos que é fundamental na influência de arquitectos como Carlos Ramos e o próprio Fernando Távora, cujo papel na arquitectura do Porto é sobejamente conhecido. O arquitecto Ventura Terra é um homem de consensos e senso comum dotado de um apurado sentido estético. A arte nova em Portugal transforma-se e adapta-se à contingência transformando a sociedade para o caminho da modernidade. O liceu Pedro Nunes é exmplo perfeito desta atitude com as suas composições equilibradas plenas de luz e leveza. O Ginásio é sem dúvida um espaço de composição magistral. Obrigado arquitecto Ventura Terra.


Arquitecto V. Terra - Lisboa 1908
Arquitecto Ventura Terra - Liceu P. Nunes - 1908

Arquitecto V. Terra- Liceu Pedro Nunes 1908

Arquitecto Ventura Terra - Lisboa - Liceu Pedro Nunes

1.31.2012

Arquitectos Jorgen Bo e Vilhem Wohlert

Arquitectos Jorgen Bo e Vilhem Wohlert - Museo de artemoderna em Copenhaga 1958-1978

Os arquitectos Jorgen Bo e Vilhelm Wohlert representam o que há de melhor da herança de Alvar Alto. O seu trabalho evoluiu no sentido da procura de uma relação intença entre arte, arquitectura e natureza. O Museu de arte moderna de Copenhaga foi um dos maiores feitos da arquitectura Dinamarquesa e um ponto fulcral na história da arquitectura Moderna.
O arquitectos dinamarqueses desenharam um edifício que se funde na paisagem, absolutamente despreocupado com os acabamentos, não procurando ser pretensioso mas apenas deixar que a arte e a natureza tomem todo o protagonismo. Esta abordagem humilde perante o contexto continua a ser escassa nos dias de hoje se atentarmos nos exemplos de museus que nos rodeam. Mas Copenhaga está ali a mostrar que a simplicidade é bem mais complexa do que um primeiro olhar poderá fazer crer...


arquitectos dinamarqueses Bo e Wohlert

arquitectos dinamarqueses em Copenhaga

Arquitectos - museu de arte moderna de Copenhaga

Arquitectos e natureza

12.28.2011

Arquitectos Bijovoet e Chareau

Os Arquitectos Bijovoet e Chareau são fundamentais na história da arte moderna, da arquitectura e do mobiliário de vanguarda.
São fundamentais porque nos anos 20 são os primeiros arquitectos a exibir com orgulho a modernidade das texturas, acabamentos, cores, materiais e estruturas que eram até então vulgares na indústria mas que a sociedade resitia a deixar que estas entrassem no interior da habitação ou sequer fossem exibidas no exterior.
A casa de vidro de 1925, construída em Paris é exemplo desta atitude. Os cabos de electricidade são visíveis, os rebites de aço estão à vista, as cores anti-corrosão do aço são aplicadas na sua forma mais pura, o vidro é exibido  em toda a parede, são usadas divisórias em chapa perfurada como nas fábricas da época, enfim, sentimos que a fábrica foi transformada em casa e não a casa em fábrica como é o caso de L Corbusier.
A indústria era agora um facto de orgulho e grande parte desse orgulho devemos a Bijovoet e Chareau.



Arquitectos - casa de vidro

Arquitectos Bijovoet e Chareau

 
Arquitectos - Paris -1925


















 
























Post Scriptum: Os projectos da história da arquitectura servem sempre de referência ainda que os programas sejam distintos e os lugares e clientes completamente díspares. Mostrar os materiais foi a condição dos arquitectos com quem trabalho neste projecto da utopia para um edifício em Gondomar: projecto dos arquitectos da utopia.

11.30.2011

Arquitecto Abraham Miletsky

Creio ser fundamental reposicionar a história da arquitectura a oriente, mais particularmente nos muito esquecidos arquitectos soviéticos dos anos 70. O arquitecto Abraham Miletsky é um destes exemplos. Um pouco mais distante dos constructivistas seus pares este arquitecto desenvolve um trabalho mais expressionista e inspirado em formas orgânicas que andam em paralelo com muitas das experiências que se faziam no Brasil na época. O crematório de Kiev de 1975 é exemplo deste trabalho de formas curvas sem paralelo na Europa. O crematório é assim o espaço do sagrado numa época em que o sagrado não podia ser explicito e restava a arquitectura para o simbolizar...




Arquitecto Abraham Miletsky - Crematório de Kiev - 1975


Arquitecto Miletsky - Crematório de Kiev - Entrada


Arquitecto Miletsky - Crematório de Kiev - Tectos


Arquitecto Miletsky - Crematório de Kiev - Formas Curvas
Arquitecto Miletsky - Crematório Kiev - Fachada Posterior

10.31.2011

Arquitectos Chakhava e Jalaghania

Corria o ano de 1975, a Guerra fria estava ao rubro e a cidade era Tiblissi, na Geórgia, parte da então União das Repúblicas Sociais Soviéticas. A dupla de arquitectos conhecia a fundo o trabalho de vanguardistas como Lissitzky e desejava oportunidades. A URSS parecia querer abandonar o classicismo e a oportunidade surgiu.
Conhecidos pelo seu trabalho sobre cidades no espaço os arquitectos soviéticos tinham agora oportunidade de libertar definitivamente os edifícios do solo e desenvolver o programa horizontalmente. Os custos avultados destas soluções eram também uma forma de demonstração de poder para o exterior.
Independentemente disso, os arquitectos Chakhava e Jalaghania são expoentes máximos das vanguardas russas e todas as tentativas subsequentes em países da Europa que tentaram resgatar estes modelos nunca atingiram a imponência destas obras.
A Modernidade que nunca saíra do papel estava agora em betão à vista de todos...

P.S.: Como arquitecto no atelier de arquitectos Utopia debatemos muito a importância de proteger o solo e salvaguardar a modernidade como opção. Os arquitectos Russos são sempre uma referência essencial nesse debate.


Arquitectos Chakhava e Jalaghania


Arquitectos Chakhava e Jalaghania - Tiblissi

Arquitectos Chakhava, Jalaghania - Geórgia

Arquitectos da ex-URSS - 1975

Arquitectos Chakhava e Jalaghania - 1975 - Geórgia

9.29.2011

Arquitecto Prouvé e casas pré-fabricadas

casa pré-fabricada do arquitecto Prouvé 1951
interiores de casa préfabricada 1951











arquitecto Jean Prouvé - casa pré-fabricada 1951
Casa metálica Pré-fabricada de Jean Prouvé 1951





































Casa pré-fabricada para clima tropical africano - Jean Prouvé, 1951

Neste espaço temos sempre falado de arquitectos menos conhecidos ou menos populares entre os arquitectos mas que de alguma forma se destacaram pela sua singularidade. O arquitecto jean Prouvé é precisamente um exemplo disto mesmo. Sem formação académica e enquanto operário da indústria metálomecânica começa a dar os primeiros passos no desenho de mobiliário e aventura-se inclusivamente no desenho de projectos de arquitectura. Essa nova perspectiva sobre o projecto de arquitectura desprende-o um pouco do lugar e da história da arquitectura mas aproxima-o imenso de um olhar pragmático sobre o espaço e a forma. Para o arquitecto Jean Prouvé a arquitectura é uma forma material que cumpre uma função tal como o mobiliário e deverá ser desenhada com economia de meios e com máxima optimização desses mesmos meios de modo a poder transmitir conforto. A sua casa préfabricada tropical representa não só uma das primeiras tentativas de edificar um objecto puramente industrial que susbstitui a tradicional ideia de casa como é inclusivamente uma das mais bem conseguidas. O exemplar da República popular do Congo já não existe e foi levado para o jardim em frente da Tate modern. É assim ainda hoje possível admirar o rigor de Prouvé, a economia de recursos e uma outra leitura sobre o que deve ser uma casa. Concorde-se ou não, a pré-fabricação estava em marcha e Prouvé impulsionou-a... 

P.S.:Fazemos questão de chamar a Prouvé arquitecto, pois não poderá ter outra classificassão que não essa. Ao mesmo tempo, quandos os nossos arquitectos em Angola da Utopia debatiam o clima tropical falamos deste e de outros projectos de arquitectura que nos marcaram de algum modo. Desenhamos a nossa habitação e loteamento em Angola para os dias de hoje e a pré-fabricação não foi uma opção dado o nosso entendimento da importância que a identidade representa para a cultura Angolana. Mas o arquitecto Prouvé nunca deixará de ser para nós genial.

8.31.2011

Arquitecto böhm - Reabilitação de edifícios

Reabilitação de Edificio do Município de Bensberg - exterior



Reabilitação de Edificio do Município de Bensberg - interior


Reabilitação de Edificio do Município de Bensberg - exterior enquadramento
 
Reabilitação de Edificio do Município de Bensberg - exterior

Reabilitação de Edificio Bensberg - exterior pormenor



























Reabilitação de edificio do Município de bensberg  - Arquitecto Gottfried Böhm  - 1962-1967



O Arquitecto Gottfried Böhm  é uma figura da arquitectura moderna mais recente relativamente controversa. Com um passado já relativamente experiente o arquitecto Böhm  apesar de galardoado com um Pritzker não reúne muitas vezes consensos. Todavia no meu entender é excepcional no modo em como efectua a reabilitação de muitos edifícios antigos com elevado valor histórico. O arquitecto Böhm  não se limita a confrontar o novo com o moderno, o arquitecto interpreta o ambiente em que trabalha e de alguma forma as suas obras e intervenções de reabilitação possuem a mesma escala, os mesmos tons cromáticos, o mesmo carácter, no fundo o mesmo Genius Loci... Bensberg é exmplo disto mesmo. O arquitecto dobra e redobra as suas formas, escava-as, deforma-as integrando-se com delicadeza no complexo medieval pré-existente.
Este edifício é foco de debate constante entre arquitectos quando trabalhamos em Reabilitação de edifícios no nosso gabinete de arquitectura e na realidade não nos cansa de surpreender nos seus detalhes, no manancial de soluções que oferece e na leitura desprovida de preconceitos que a sua abordagem ao projecto de arquitectura envolveu. Obrigado Gottfried Böhm!