8.05.2019

A Reabilitação e o Arquiteto Pikionis

A reabilitação de Edifícios
A reabilitação de edifícios é tema frequente de debate. Por um lado temos as mentalidades mais conservadoras que consideram a reabilitação como um restauro dos valores históricos que comprovadamente existiram. Esta abordagem assume por vezes uma variante onde se aceitam adaptações ou extensões que possuam uma linguagem completamente diferente. Nesta visão encontramos arquitectos como Giorgio Grassi ou Carlos Scarpa . No fundo toda a criação arquitectónica é separada da histórica com mais ou menos relevância. Acresce que mesmo esta abordagem como se pode imaginar é bastante polémica.

A reabilitação e o Paisagismo
A reabilitação dos espaços exteriores é também impregnada de conceitos arqueológicos. Procura-se frequentemente a utilização de eventos históricos para fundamentar as opções formais. Muitas praças ou jardins evocam os locais onde aconteceram episódios históricos e procuram recriá-los de algum modo. Abordagens que fujam a este paradigma são frequentemente consideradas de qualidade inferior.

O arquitecto Dimitris Pikionis
Dimitris Pikionis é um arquitecto grego nasce em 1887 e morre em 1968. Durante os anos 50 e 60 vai revolucionar por completo a abordagem à reabilitação de espaços históricos e ao paisagismo em geral. Embora poucos o saibam trata-se de um arquitecto modernista com obras executadas nos anos 30 seguindo as correntes internacionais dos seus contemporâneos. Ficará conhecido sobretudo pelo seu trabalho revolucionário junto da acrópole de Atenas.

Os caminhos da Acrópole e a Igreja reabilitada
Pikionis concebe a reabilitação de todos os caminhos da acrópole desde a colina de Philopappos, a Rua Arepagitou, a igreja Agious Demetrious e o anfiteatro.
A sua abordagem nega terminantemente critérios arqueológicos. Na impossibilidade de reconstruir as ruínas de episódios históricos profundamente díspares, o arquiteto Pikionis prefere elaborar um conceito global e coerente onde o prazer da descoberta e da fruição é o objectivo. Ao mesmo tempo põe sobre o trabalho referencias constantes à história da arte. Pikionis recicla os restos de mármore existentes pela região e constroi novos caminhos, espaços e formas.
De certo modo podemos dizer que reencarna a própria tradição grega sem qualquer espécie de mimetismo. São claras as referências os pintores como Cezanne ou aos templos japoneses como Katsura. O único objectivo é o prazer e a beleza.
Escusado será dizer que a intervenção despoleta até aos dias de hoje aprovação máxima e rejeição profunda. De um lado os que privilegiam o prazer, do outro os puristas da história.

A  Reabilitação e o Projecto de Arquitectura

Esta obra de reabilitação será para sempre uma referência para os arquitectos. Por vezes reabilitar implica reconstruir uma nova realidade uma vez que o passado pode estar demasiado fracturado e o rigor histórico não é opção que permita uma fruição real dos espaços nos dias de hoje. Na realidade a reabilitação é um processo que permite diferentes respostas e Pikionis permitiu-nos conhecer mais uma.Quando no meu trabalho der arquitecto tenho de optar sobre como reabilitar, a obra de Pikionis vem-me sempre à memória.

Vista da Acrópole desde o monte Philopappos













Reabilitação dos caminhos recicla materiais de ruínas





A reabilitação inspira-se na arte oriental japosesa

A Igreja é construida pela reciclagem de materiais



Pavimentos dos caminhos são desenhados como pinturas




Percurso reabilitado por Pikionis - Atenas
A escada composta por pedras das ruínas







3.21.2019

A residência de estudantes - Arquiteto Giancarlo de Carlo

A Residência de Estudantes

Giancarlo de Carlo já tinha trabalhado em Urbino quando é convidado a desenvolver talvez a mais extraordinária de todas as residências de estudantes. O projecto é de 1962 contudo é ainda nos dias de hoje revolucionário. Na realidade pode-se dizer que é até percursor do conceito actual de coliving.
Tal como no conceito contemporâneo de coliving existem espaços privados e zonas comuns. O que é extraordinário este projecto de arquitectura é como estes se completam de modo natural. As zonas privadas possuem iluminação própria, e uma identidade especial. As zonas comuns beneficiam de vistas explêndidas sobre o vale.
O edificio é concebido como uma pequena cidade medieval com todas as valências necessárias para estudar, viver e trabalhar em harmonia com a natureza. as formas organizam-se na topografia como uma pequena aldeia italiana.
No edifício abundam os materiais naturais e o brutalismo típico do movimento Team X a que pertencia. Betão à vista, cerâmicos, tijolo burro combinam-se naturalmente com instalações e infraestruturas à vista.
O resultado é de uma naturalidade e beleza estonteante!

A inovação do coliving

É curioso como a contemporaneidade das soluções é evidente. Hoje, mais que nunca, faz odo o sentido o uso de materiais com baixa manutenção, o equilíbrio entre privacidade e sociabilização, a relação com a luz e a paisagem. Em todos estes aspectos esta obra é um exemplo extraordinário de coliving. Enquanto arquitecto na Utopia, devo dizer que estudei a habitação partilhada como as residências de estudantes em coliving e considero que este é um dos melhores exemplos a estudar criticamente nos dias de hoje.

O arquitecto Giancarlo de Carlo

Giancarlo de Carlo é um arquiteto italiano nascido em Génova em 1919. É membro do Team X (ou team 10) juntamente com Alison and Peter Smithson, Jacob Bakema e Aldo van Eyck. Trabalhou em Urbino e dedicou grande parte da sua vida a construir uma cidade mais humana por oposição a um modernismo sem critério tão patente na geração anterior. A sua morte em 2005 deixou a arquitectura orfã de uma voz activa na luta por soluções que promovam uma sociedade mais ativa.

O projecto de arquitectura

Melhor que uma descrição são sempre as imagens. Vejamos um pequeno passeio por este projecto que nos faz olhar para a a arquitectura, a paisagem e os espaços comuns de modo totalmente diferente.

Residência de estudantes em coliving arquiteto Giancarlo de Carlo

Arquitecto Giancarlo De Carlo

O conceito de coliving
O exterior da residência de estudantes
O acesso a Ca Romanino desde Urbino
A vista de Ca Romanino

Escadas
Os espaços de coliving na residência de estudantes

Zonas de trabalho - pequeno estudio
Residência de estudantes - circulação 


Janelas para a paisagem de Urbino

O quarto e a luz zenital









6.10.2017

Unidade de Cuidados Continuados


A primeira unidade de cuidados continuados
Fruto do meu própio trabalho como arquitecto tive necessidade de investigar em particular das Unidades de Cuidados Continuados e em geral toda a história das unidades hospitalares modernas. Nesta pesquisa deparei-me com alguns factos pouco conhecidos dos arquitectos e pouco divulgados nos meios académicos.
Deste modo podemos dizer que alguns arquitectos estão claramente à frente do seu tempo e antecipam enormemente o devir histórico. O arquitecto Jacob Rechter é um destes exemplos e a primeira unidade de cuidados continuados localizada no no monte Carmelo em 1968 é prova disto mesmo.

O contexto social e os apoios estatais
Esta obra foi apelidada de Sanatório Mivtachim e possui mais de 7000 metros. Foi financiada de acordo com as políticas do estado social israelita dos anos 60 enquadradas na "zeitgeist" internacional. Era propriedade de um fundo de pensões do de uma organização laboral israelita. Esta unidade de cuidados continuados fazia assim parte da segurança social e permitia aos trabalhadores recuperarem de lesões com assistência médica num determinado período de convalescença. Mas o cuidado médico não era visto apenas como um cuidado hospitalar mas privilegiava profundamente a qualidade de vida e o conforto da estadia no período de doença.

A arquitectura dos cuidados continuados
Para além do carácter percursor do programa de cuidados continuados está o modo como a arquitectura torna sublime a arte de cuidar e centra o utente enquanto prioridade dos cuidados médicos.
Assim, todos os quartos são todos voltados para o mar mediterrâneo e os espaços comuns são colocados no rés do chão. O edifício é materializado em betão armado nos pilares e rés-do-chão. Na restante parte o edifício é rebocado como que levitando sobre o topo da encosta. O mais extraordinário é que se por um lado o arquitecto faz usos de materiais como o betão armado associados ao movimento conhecido como "Brutalismo", por outro lado mistura-o com o carácter mediterrâneo de uma aldeia branca ou a forma orgânica de um elemento natural. Para descrever esta obra, sublime é o minímo que nos pode ocorrer!
A chegada à unidade de cuidados continuados

No piso térreo os cuidados comuns

As zonas de lazer nos jardins da unidade

Os espaços de estar para receber visitas

As vistas esplendorosas sobre o mediterrâneo

A unidade de cuidados continuados no cimo da colina

As zonas de circulação em betão à vista

Os espaços de convívio




5.01.2017

Pancho Guedes - O arquiteto do Modernismo Português

Pancho Guedes é um arquitecto incontornável na história da arquitectura portuguesa. Lamentavelmente, e sobretudo por questões políticas, é frequentemente apagado e desvalorizado. Contudo a realidade dos factos é que pertenceu ao Team 10 fundamental na crítica ao C.I.AM. e na elaboração de propostas alternativas a um modernismo desprovido do contexto social económico e cultural em que se inseria. No team 10 encontra-se lado a lado e diga-se, bem acompanhado por nomes como  Aldo van Eyck, Alison and Peter Smithson, Georges Candilis, Coderch entre outros.
Nasce em 1925 e morre em 2015. A sua modernidade crítica e apurada é notável. Grande parte da sua obra é realizada em Maputo, sendo que a conturbada descolonização portuguesa impede o decurso do seu percurso arquitectónico.
Pancho Guedes tem uma concepção do modernismo como algo de humano mas que se enquadra no uso dos recursos contemporâneos mais eficientes, funcionais e adaptados aos recursos dos lugares. A sua perspectiva é a da fusão com todas as artes e daí resulta uma obra que inclui a escultura e a pintura como actividades paralelas.
O exemplo do Prédio Abreu Santos e Rocha em Maputo, construído em 1956 na praça dos Trabalhadores, é paradigmático desta abordagem. A sua arquitectura funde-se com a pintura ou escultura sendo artes praticamente indissociáveis. Ao mesmo tempo a eficiência energética da fachada brise soleil faria invejar qualquer arquitecto dos dias de hoje. As aberturas francas a sul (hemisfério sul) e controladas a norte mostram um conhecimento profundo da energia solar passiva. Ao mesmo tempo o edifício define magistralmente a praça dos trabalhadores contendo múltiplos programas que mostram a sua visão sobre a qualidade urbana que o modernismo deveria possuir.
Pancho Guedes foi assim sem dúvida um dos grandes mestres de um modernismo crítico global e da arquitectura portuguesa.


Fachada do Prédio Abreu Santos Rocha - Arq. Pancho Guedes

Prédio Abreu Santos Rocha - Arquitecto Pancho Guedes

Praça dos Trabalhadores - Maputo

Arquitecto Pancho Guedes -  Energia solar passiva avant-la-letre

Arquitecto Pancho Guedes - desenho de fachada com Brise soleil

Arquitecto Pancho Guedes - Pormenor de Brise soleil vertical

4.24.2016

Hotel dos Arquitectos Niemeyer e Lima


É muito provavelmente o Hotel em Portugal com o projecto de arquitectura mais detalhado e concebido não para ser a imagem de uma marca mas para se integrar num local e fazer desfrutar todos os que o percorrem.

Sim,  um hotel cuja qualidade essencial é a própria natureza do lugar e a arquitectura por si própria parece algo de impensável num tempo dominado pelo "branding" que torna tudo homogéneo.

O papel dos arquitectos ao desenhar o Hotel

O mais curioso neste Hotel é que este resultado extraordinário é concebido por dois arquitectos amigos de países diferentes. Um é o arquitecto Oscar Niemeyer do Brasil e o outro é Viana de Lina de Portugal. O primeiro é famoso internacionalmente e é convidado pela Família Barreto para realizar o projecto.
Concebe o estudo prévio à escala 1/500 e entrega o desenvolvimento a Viana de Lima enquanto colaborador em Portugal.

Creio que o resultado não poderia ser mais extraordinário. E foi extraordinário porque Viana de Lima segura toda a genialidade da ideia original, e como tal é também ele genial por isso mesmo. ( Quem projecta sabe o quão difícil é mantermos a frescura de um esquisso. )


Se juntarmos o engenheiro Madeira Costa para resolver a difícil ligeireza dos pilares e o desiner Daciano da Costa nos interior temos uma equipa verdadeiramence excepcional.
O projecto de arquitectura

O projecto nasceu no Funchal em 1966  por encomenda da família Barreto e conclui-se em 1976. Será conhecido como Carlton e hoje pertence ao portfolio do grupo Pestana.

Um bloco extenso e curvo de oito pisos permite que este através da sua delicadeza e comprimento se integre magnificamente no perfil do Funchal. Todos os quarto vêm o horizonte e o oceano que rodeia a Ilha da Madeira.

Este bloco parece abraçar cuidadosamente o casino que emerge dos jardins como uma referencia irónica à catedral de Brasília.

O terceiro corpo é o cine-teatro enterrado em forma de trapézio como tantos outros projectos de Niemeyer.

Tudo o resto é música sob a forma de rampas que cuidadosamente ligam fazem antever cada momento, cada espaço. A paisagem aparece e desaparece como um doce dança de paisagem e arquitectura.




As fotos em baixo são de Leonardo Finotti. Desfrutem.


Esquiço do Arquitecto Niemeyer


O Hotel integrado na paisagem

O abraço do Hotel ao jardim e as rampas de acesso

Os jardins do Hotel são um passeio para o Teatro e Casino.
A extraordinária relação do Hotel com a Natureza e o terreno.

2.06.2016

Casa no Porto

O Paradigma do Movimento Moderno Português

Julgo que nunca é demais sublinhar a singularidade e autenticidade do modernismo na arquitectura Portuguesa. E para falar disso nada melhor que o exemplo dado pelo arquiteto Celestino de Castro e de um dos seus projectos emblemáticos. Falaremos em seguida da Casa José Braga no Porto.
Mas antes convém descrever sumariamente o arquiteto Celestino de Castro. Termina o curso no final da segunda guerra, e começa a trabalhar nessa altura com uma forte influência das ideias provenientes do movimento moderno que só depois de terminado o curso conhece. Como o próprio dizia, só depois de terminados os estudos conheceu a fundo o trabalho de Le Corbusier. Celestino pertence também aquele grupo de arquitectos que defende uma arquitectura portuguesa aberta ao mundo, autêntica nas suas propostas e não pactua com a fantasia da "arquitectura à portuguesa" tão defendida no regime. Não é coincidência o facto de trabalhar no "Inquérito à Arquitectura Popular Portuguesa" pois no fundo pretendia que o modernismo das suas obras se apoiasse no mesmo pragmatismo e depuração formal da arquitetura popular e na sua relação com o lugar.

Modernidade e Tradição

No fundo, o aspeto mais entusiasmante do modernismo português é que é produzido por arquitetos que conheciam profundamente a arquitetura popular e trabalharam ativamente no seu conhecimento, documentação e divulgação. Este é o paradigma do Movimento Moderno Português.


Casa no Porto


A Casa José de Braga de Celestino de Castro é uma obra produzida ainda antes da clandestinidade ( resultante da sua militância no PCP) e data de 1950, sendo construída no Porto. No fundo traduz o seu compromisso com o emprego de formas contemporâneas, profundamente influenciadas por Le Corbusier mas também extraordinariamente adaptadas à contingência do lugar, do cliente e dos processos construtivos disponíveis. Ironia das ironias, no fundo, não há nada mais português que isto...


Arquiteto Celestino de Castro - Casa no Porto (José Braga)
Traseiras da Casa José Braga
Esquiços do Arquiteto Celestino de Castro

Fachada presente no Projeto de Arquitetura

Plantas da Casa no Porto de Celestino de Castro

12.28.2015

A casa de luxo


Faz já muitos anos que vi pela primeira vez uma obra de Rudolph Shindler. Situa-se na Kigns Road famosa via no estado da Califórnia e foi construída em 1922. Frequentada por John Cage, Frank Lloyd Wright, Edward Weston, reunia nela o ambiente cultural vanguardista da sociedade californiana.
Mas curiosamente ou não, ela foi efectivamente desenhada para duas famílias, a famíla Shindler e a família Chace, mas com vista a uma profunda independência para as quatro pessoas que compunham os dois casais. No fundo, Schindler concebe 5 estúdios para quatro pessoas e convidados.
 

Jardim da Casa Schindler



Quarto em forma de tenda na cobertura

Sala comum

Do ponto de vista da estratégia concebem-se três casas em L que geram múltiplos pátios à sua volta. Cada L serve duas pessoas. As camas estão na cobertura numa espécie de tenda. No rés-do-chão estão as salas, cozinhas e casas de banho de cada apartamento. No centro, uma grande sala para a vida social.

O espaço flui constantemente e desaparece por entre as árvores do jardim. Sentimos a opulência do vazio e parece que viajamos para Katsura. Só que aqui, nesta natureza e nestes espaços, o silêncio é composto por festas e discussões acaloradas pela sociedade boémia californiana.

Schindler é um visionário, na exacta medida em que define ainda hoje o standard daquilo que viria a significar a vivência da casa de luxo. E define-a não só para a Califórnia como para o mundo através de reproduções, interpretações e adulterações constantes de Hollywood.

Schindler é ao mesmo tempo um conservador pois resiste a industrializar a arquitectura, e mantém-se no mundo do artesanato. Decisão essa que lhe valeria uma disputa com Neutra ( Mas isso falaremos um outro dia...) 




Cozinha
Lareira numa das salas
 
Mas o que é então o luxo? 

O luxo são 330m2 de construção? O luxo é um jardim de 1900m2? O luxo são os materiais? É a madeira de sequóia? São os tecidos de algodão e seda? É um quarto na cobertura com vista para as estrelas? É viver com os amigos numa organização tipo república académica? É ter como amigos os maiores vultos da cultura do nosso século?
Sinceramente, parece-me que sim. O luxo é tudo isto. E creio que não é mesmo fácil fazer algo tão luxuoso.


9.22.2015

Arquitecto João Rocha

João Álvaro Rocha, o arquitecto do Porto

Tenho uma certa dificuldade em falar de um arquitecto que conheci pessoalmente e que foi meu professor, meu patrão e também meu amigo. Contudo, não seria justo se não referisse as excepcionais qualidades deste verdadeiro arquitecto do Porto de nome João Álvaro Rocha. Trata-se de um criador de uma arquitectura verdadeiramente moderna e enormemente contemporânea.
Este arquiteto possui uma qualidade que nunca encontrei na mesma quantidade em mais nenhum outro: o rigor. João Rocha trabalhava obsessivamente o detalhe e o conceito. E trabalhava-o no sentido de procurar a obra perfeita. E na realidade não só a procurava como a encontrava.
Cada gesto, cada proporção, cada alinhamento, cada material, era proposto no sentido de fortalecer o conceito formal da proposto e atingir uma serinidade que só encontramos nos grandes mestres.
O complexo de habitação social em Penela da sua autoria é um exemplo perfeito a este nível. Uma só janela, uma só solução construtiva e uma exuberante diversidade formal que se relaciona e se integra de modo cuidado com toda a topografia existente e a morfologia da ocupação do território envolvente.
Quando caminhamos no PER de habitação social de Penela sentimos que tudo resulta de um trabalho, de uma pergunta ou de um argumento. Quando passeamos no jardim, olhamos a varanda ou a entrada, encontramos uma razão de ser em cada torção, cada cor, cada pormenor. E só podia ser assim...

Habitação social em Penela

Habitação Social em Penela














Jardim Exterior


Varanda
Entrada